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O primeiro contato dos americanos com os bons-indígenas da Amazônia

Crônica

            Todo fato histórico tem lados ocultos e segredos que seguem a filosofia do famoso: o que acontece em Vegas, fica em Vegas. Nesse caso, a tradução desse termo foi concebida na popular Expedição Científica Rondon-Roosevelt, bem antes das primeiras desgraças do desastroso passeio de férias da família Roosevelt e um pouco depois das chatas e incansáveis pesquisas do grupo naturalista que acompanhava os exploradores geográficos brasileiros.

            Marechal Rondon desbravava o desconhecido entorno do Rio da Dúvida já na segunda parada da embarcação, seguido pelos trinta membros da expedição. Quando vê, no meio da mata, os estereotipados rostos pintados de urucum e os corpos seminus de uma tribo não anotada no mapa. Seguindo os indígenas que esbravejavam a presença de estranhos no território por eles protegido, viram as primeiras ocas e tambores de barro e madeira; os americanos encaravam amedrontados as peles morenas e os negros cabelos dos povos tradicionais brasileiros – logo eles, tinham flashbacks prazerosos de quando dizimaram os seus na época colonial. A equipe de busca era mesmo completa, entre os estudiosos, um etnólogo pode, ainda que com algumas pontuais dificuldades, identificá-los como Kanamari, mas catuquinas – parafraseando o expert: grupo menor abastado da tribo principal – apenas.

            Para a grande sorte, os indígenas eram receptivos e tratavam os hóspedes com certa idolatria que Roosevelt não reconhecia desde o Great White Fleet, foi oferecida comida, bebida, pequenos vasos e instrumentos divertidos. Ensinados pelos brasileiros a não fazer “desfeita”, a tripulação comeu e bebeu aos montes, até mesmo o que não faziam a menor ideia do que era. Por fim, misturando a educação nacional e a dos colonizadores britânicos, aceitaram o chá do fim de ceia, todos os trinta e poucos expedicionários. Nem os pesquisadores brasileiros podiam medir as consequências desastrosas desse sincretismo de etiquetas.

            Com a vista turva, a boca pesada, a língua presa e o corpo cambaleante, o grupo não se movia propriamente, nem entendia o que estava acontecendo, não podiam fazer outra coisa senão sentar e esperar os efeitos alucinógenos do seja-lá-o-que eles tinham consumido passar. Nessa noite, a floresta assumiu um quê de rave-alucinada-sem-fim regada de desencontros linguísticos. Acordaram no dia seguinte largados nos mais diferentes pontos da tribo, com a sensação mortal da ressaca, a vontade de nunca terem vivido aquela madrugada e pactuaram que nem os livros de história e tampouco o Museu Americano de História Natural saberiam dos ocorridos.

            Hoje, pesquisadores acreditam que provavelmente os integrantes da expedição cientifica foram os primeiros não-indígenas a entrar em contato com o hoje conhecido chá de ayahuasca, mas mantendo o pacto dos aventurados, essas informações são estritamente confidenciais.

6 respostas

  1. Avatar de Lucas
  2. Avatar de Ana Luiza
    Ana Luiza

    👏👏👏👏👏

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  3. Avatar de Heloisa Marins
    Heloisa Marins

    muito bom!!

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  4. Avatar de isabelymarchetti
    isabelymarchetti

    perfeito!

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  5. Avatar de kingdompowerfuld759e829fc
    kingdompowerfuld759e829fc

    👏👏👏

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  6. Avatar de lucimrp
    lucimrp

    👏👏👏

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